C’est fini?

Em algum momento, não sei precisar exatamente quando, parei de pensar como um “blogueiro”. Antes, os fatos e emoções me indicavam os próximos posts. Hoje, não mais neles penso. E quando chego a ter uma idéia [na verdade, tenho um “banco” de possíveis textos a serem feitos], não tenho coragem/disposição de escrever.
O tesão acabou. Tesão em escrever, ressalte-se.
Não consegui escrever a dupla “Um dos lados da moeda: Anne Frank” e “O outro lado: Leo Auberg”. Seriam textos sobre os livros “O diário de Anne Frank” (amplamente conhecido) e “Tudo que tenho levo comigo”, sobre a história de Leo Auberg, um alemão [homossexual] que vivia na Romênia no pós-guerra e foi enviado a campos de trabalho na Rússia para pagar pelos crimes de guerra só pelo simples fato de ser alemão. Ele viveu lá por 5 anos, quando à casa retornou. Este livro tem passagens lindíssimas e gostei muito de lê-lo .Nobel de Literatura merecido.
Cheguei à Anne Frank porque o holocausto é um momento [trágico, horripilante, desumano] da nossa história que me marca e choca muito. Tive a oportunidade de conhecer o esconderijo onde Anne ficou até ser denunciada e isso deu mais vontade de ler seu [dela] diário. E no meio da leitura dele,tomei conhecimento do outro, sobre o que alemães, boa parte inocente, sofreram. Era um desdobramento/capítulo da guerra por mim desconhecido. Dois lados de uma mesma [repugnante] moeda, a guerra, que eu queria que tivessem virado textos. Mas não consegui.
Também pretendia escrever sobre a não-dor. Um termo do Caio Fernando Abreu que me fez repensar a forma que me vejo em relação ao rancor. Há algum tempo me via rancoroso. Depois daquele conto, vejo apenas que muito do que eu julgava rancor é apenas uma lembrança de não-dor. Mas este texto também não saiu.
Textos não escritos sobre o conceito novo [para mim] de vidas e amores líquidos, do recomendadíssimo Zygmunt Bauman.
Sobre o momento feliz que tive quando li, em Llosa, que Faulkner, assim como eu, lia seus textos em voz alta para poder escutar-se. Acho isso importante para conhecer a agilidade do meu texto, se rápido, se coeso, se bom de ler e ouvir. Achava isso meio loucura e foi engraçado ver isto n’outro [claro, não pretendo com isso me comparar a ele, apenas dizer das descobertas que tive ao ler o “Cartas a um jovem escritor”, do Llosa].
Sobre minha relação com religião e Deus. Sobre o quão surpreso fiquei quando, ao chegar ao Vaticano [não na quarta-feira, pois não queria ver o papa], chorei. Como aquele dia foi cheio de coincidências. Como não tinha percebido, até chegar lá, que o modo aleatório das músicas da Bethânia no ipod tinha escolhido músicas com um quê de religioso e que tocava, assim que coloquei os pés na Praça de São Pedro [no Vaticano], “Poema do Menino Jesus”, não sua versão completa [por motivos óbvios], mas a linda e devota versão cutted da Bethânia.
Sobre os e-mails desaforados que recebi de um leitor, dizendo o que bem queria a meu respeito. Um desafeto querido. É assim que o considero. Victor Hugo desejou que todos tivessem ao menos um inimigo para que a gente possa se questionar vezenquando… Um desafeto querido, mas bobinho. Ou será que ele realmente acha que eu sou somente isso que aqui aparenta? Sou muito mais. Muito mais defeito, mais qualidade, mais imperfeição, mais incoerência, mais humano. Um desafeto querido, bobinho e constante, porque apesar de se irritar com o que eu escrevo, ele muitas vezes veio aqui [a considerar pelos e-mails sobre vários posts que recebi...].
Sobre diversos outros assuntos que nem me lembro agora. Até a disposição para escrever este texto estava difícil. Preguiiiiça…
Mas é isso. Ao que tudo indica, este é o último post deste blogue. Talvez eu sinta saudades e escreva aleatoriamente. Talvez a saudade aumente tanto que eu volte a produzir textos freqüentemente. Já cansei aqui de me promover inconstante e me assegurar o direito de mudar rs.
Foi muito bom estar aqui. Escrever coisas que julguei muito boas para mim, por me permitir parar para concatenar idéias. Testar as capacidades de meu português não tão ruim. Conhecer blogues, blogueiros e leitores.
Devo continuar presente nos blogues que leio. Mas talvez mude para o eu de verdade nos comentários, vai saber.
Um xêro bem gostoso pra vocês…
Um xêro com gostinho de fim…
Gostinho que pode mudar em breve, repito-me.
Mas, por ora, aqui paro. C’est fini.
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“Tempos de crise” ou “Todo dia ele faz tudo sempre igual” ou “Para quem não sabe onde chegar, qualquer caminho serve”

Ufa! Acho que não tinha produzido um título tão longo, né? Antecipo: este texto é uma confusão só. Um vômito [por vezes mal formulado] de sensações deste blogueiro. Uma gagueira mental. Pardon.
Estou afastado do blog. Do meu e dos blogs que freqüento.
O motivo: crise. Tenho uma crise que me é recorrente e, pior, não é muito bem compreendida por mim.
Em resumo: para onde vou? Os passos diários que dou me levarão a que lugar?
Para [tentar] contextualizar, começo com um livro sobre o qual tomei conhecimento na mostra de filosofia e cinema que freqüento aqui no Rio [tento ir todo sábado, ao menos]: “O mito de Sísifo”, ainda não lido por completo, mas que versa sobre o que seria, para Camus, o principal problema filosófico:
“Só existe um problema filosófico realmente sério: o suicídio. Julgar se a vida vale ou não a pena ser vivida é responder à questão fundamental da filosofia. O resto, se o mundo tem três dimensões, se o espírito tem nove ou doze categorias, aparece em seguida. São jogos. É preciso, antes de tudo, responder. E se é verdade, como pretende Nietzsche, que um filósofo, para ser confiável, deve pregar com o exemplo, percebe-se a importância dessa resposta, já que ela vai preceder o gesto definitivo.”
Não que eu tenha os mesmos questionamentos do livro, mas tem um trecho que definiu mais ou menos o que passo agora: logo no início do livro, ele fala sobre o sentido da vida, algo que em mim ficou assim:
Existem pessoas que:
1) Descobrem o sentido da vida [ou o sentido da sua, pelo menos] e vivem com isso;
2) Descobrem o absurdo que é a vida [e sua falta de sentido] e vivem com isso ou – grave – decidem abandoná-la;
3) Nunca obtém respostas que satisfaçam essa dúvida. Ficam sempre com aquele fogo interno, aquela coceira que incomoda. E, para estes, a vida pode ser mais difícil [essa última parte não sei se tirei do livro ou se concluí-la eu].
Acho ainda que o livro ignora na análise, e eu também, aqueles que passam pela vida sem nem se questionar sobre isso de ter ou não sentido.
E eu estou sempre no número 3. Não que necessariamente esteja eu com a coceira full-time, mas sempre sem respostas. E não especificamente relacionado ao sentido da vida, porque isso eu consigo resolver “bem” [dentro de meus complicados pensamentos rs] – apesar de esse sentido da vida estar bem relacionado com minha coceira.
A minha coceira é sobre o meu objetivo de vida. É meu “viver pra quê?”. É o que faço quando acordo todos os dias. É o que vou ser lá na frente em conseqüência dos atuais passos diários. Estou caminhando para algo que quero ou vou chegar num lugar qualquer, mais determinado pela inércia diária que pela minha ação consciente?
E isto não é de agora. Persegue-me há algum tempo. Já pensei em terapia. Mas sou muito indisciplinado para soluções de longo prazo que exigem comprometimento semanal. Já conversei com outras pessoas, tentando ver em seus objetivos algo que talvez me ajude no meu. E elas, ou não pensam nisso, ou não tem e nem se incomodam. Na verdade, afora aqueles cujo objetivo de vida é “ter uma família e ver os filhos crescerem”, ninguém me deu uma resposta satisfatória. Nem esses objetivos de ter família servem, admito, pois o que quero é um objetivo em mim centrado, não a projeção de minha continuidade num outro.
Alguns indícios apontam que essa crise quase-existencial tende a surgir quando estou em crise com o trabalho. Afinal, acho que essa dedicação temporal que tenho de dar ao trabalho define muito o que sou/serei. Falta tempo, descanso, coragem para aproveitar o tempo livre e me dedicar a algo novo: uma futura profissão nova ou uma nova faculdade. Vivo de “bicos” mais felizes: um curso de fotografia aqui, uma mostra de cinema acolá, filmes em casa e livros e shows e passeios e vários outros prazeres freqüentes.
Não reclamo que sou infeliz. Nem acho que de fato o sou. Tenho tempo para me dedicar a vários prazeres. Mas a coceira não passa.  E não se trata de objetivos materiais. Planejar ter um apartamento, carro ou viajar mais vezes à Europa não supririam este incômodo. Para conseguir isto, o caminho atual é mais que suficiente.
E faltam culhões para jogar tudo pro alto e fazer o que eu realmente quero da minha vida. Ou talvez eles, os culhões, faltem porque eu realmente não sei o que quero fazer da vida. E saber o que quero seria satisfazer essa pergunta. Melhor, ao escrever este texto [que inicialmente foi uma troca de e-mails com o FOXX], descobri que na verdade até a pergunta está mal formulada. Essa descoberta, por sua vez, acrescenta um novo tempero à crise: antes de solucioná-la, terei de esclarecê-la.
Ou, talvez, se não conseguir evoluir nela, resta-me dá-lhe tempo, pois com o tempo, acostumo com ela e, depois, dela esqueço. Ou seja, daqui a pouco isso passa. Para voltar logo depois. Um círculo vicioso.
Enfim, a mim me parece que, seja em tempos de coceiras ou de costumes, vivo a vida de Alice: sem saber onde quero chegar. Um Chaplin [sem a genialidade do original], a mercê destes tempos modernos.
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Mexeu com a MPB, mexeu comigo!

“Ele é tudo o que você queria em um homem?
Você sabe que eu te dei o mundo
Você me teve na palma da sua mão
Então, porque o amor foi embora?
Eu simplesmente não consigo entender
Pensei que fosse eu e você, baby
Eu e você até o fim
Mas acho que eu estava errado”
(autoria revelada durante do post)
Era um dia de trabalho qualquer até que uma colega de trabalho resolve cantarolar uma música sertaneja. Outro colega, fâ ardoroso de pop americano e devoto da Britney (para ele, a mais linda, a mais afinada e a mais malemolente cantora dos três tempos básicos: presente, passado e futuro), resolve espetar: “e ainda falam mal do meu gosto musical… isso que é porcaria”.
E eu, que estava de fora, mas adoro uma boa discussão, principalmente quando estou do lado contrário desse chatíssimo colega eu-quero-ser-a-Britney, resolvo participar:
- Mas porcaria em que sentido, Mr. Spears? - questiono.
- Em todos: a letra e a música são uma droga! – respondeu.
Não me contive. Teci algumas considerações sobre estilos e propostas e que, quanto à música, cada um gosta do que quer e deve escutar aquilo que lhe soa bem aos ouvidos. E dane-se à opinião alheia. Mas, em termos de letra, não se pode gostar do pop americano e criticar Ivete, as bandas de forró (e sua tendência recente de versões daquele pop), pagodes, alguns funks ou sertanejo.
O trecho citado acima não poderia ser de Zezé de Camargo? Ou Victor e Léo?
Mas não. É de Justin Timberlake. E usei essa tradução de “What Goes Around… Comes Around” porque este colega me sugeriu esta música como exemplo de POESIA (palavras dele!!!)! Talvez, penso eu, o parco inglês dele aliado à admiração pela música americana e a inegável influência dos EUA no nosso cotidiano o faça achar que tudo que é inglês é ótimo! Afinal, é primeiro-mundo-tão-chique-e-moderno-e-inteligente e, mais importante, tão-não-tupiniquim!
Ledo engano… Aliás, vejo isso em muita gente… e não há nada de inaceitável nisso, mas acho que um pouco de atitude crítica não é nada demais, certo?
Existe muita diferença entre “Eu-eu-eu quero ir-ir-ir / de qualquer jei-ei-ei-to / Libertar minha loucura hoje à noite / Eu-eu-eu quero mostrar-ar-ar / toda a safade-e-e-za / Que percorreu minha mente, woah”  (I wanna go, Britney) e “sábado na balada / a galera começou a dançar / e passou a menina mais linda / tomei coragem e comecei a falar / nossa, nossa / assim voce me mata / ai, se eu te pego / ai ai, se eu te pego” (Michel Teló, que eu não tenho idéia de quem é, mas está no top letras do Terra)?
Música é pra ser diversa sim e que bom que existem vários estilos e cada um tem de escutar mesmo o que gosta. E todo estilo deve ser comparado com seus pares e dentro da proposta que “defende”.
Mas este colega ainda abre a boca para dizer que a MPB não tem uma música sequer que seja poesia (uma só, meu povo! ó indignação a minha!), que seja exemplo de conexão entre letra e música. Por causa de seu fanatismo pelo pop americano, vem me dizer que talvez apenas Tom Jobim tenha conseguido essa maestria americana de conectar tão divinamente letra e poesia. Pergunto-me se ele alguma vez escutou realmente ao menos Tom Jobim ou se reproduz roboticamente esta frase/impressão…
E meu respeito por ele (que já não é grande como profissional) cai ainda mais.
Que fique claro que não tenho nada contra o pop americano. Estive na abertura do Rock in Rio e adorei os shows tanto da Kate Perry quanto da Cláudia Leite. Segurei na corda do caranguejo pra lá e pra cá e depois berrei que bebê, você é um fogo de artifício, vá em frente e mostre o que você vale!
Música é arte e, portanto, não tem de obrigatoriamente ser entendida com a razão. Se arte toca você em algum nível, tá valendo! Se você se emociona com “Beautiful”, da Christina Aguilera, se fica tão feliz e pula sem parar com “Vamos dar a volta no trio” ou lembra daquele ex-namorado FDP quando escuta Bethânia cantar “Mensagem”, que ótimo! Sua sensibilidade foi tocada e reagiu à arte musical (não quero - nem saberia – aqui discutir o conceito de arte ou dizer que x é arte e y não). Isto é sentimento e é sim um critério super válido para gostar ou não das coisas.
Mas, se quer partir para critérios racionais para definir que algo é superior a outro, não vem me defender linguisticamente o american-way-of-music, né? A língua inglesa é relativamente pobre. Não teve a sorte da miscigenização que nós tivemos e que resultou no nosso rico (ou diverso soa melhor?) português.
E isso fica ainda complicado num cenário em que cantoras não são mais cantoras. A proposta do pop americano (e falo aqui como pessoa rasa e sem conhecimentos musicais além do próprio gosto) é oferecer performances, não cantoras. A Britney não abre mão do playback, a Ke$ha é auto-tunada até pra falar, a Kate Perry desafina muito e a Shakira desapareceu no primeiro “Moro…” da Ivete. Mas, dentro da proposta delas, têm sim o seu valor. O tempo passa, o tempo voa, a poupança Bamerindus não existe mais e cantoras não têm de cantar bem. Mudanças: vivemos diariamente com elas.
Contudo, nossa MPB é riquíssima e com maravilhosas composições. Não caberiam num blog, quanto mais num post, as letras inebriantes que produzimos. Então, Mr. Spears, da próxima vez que resolver atacar a MPB, o faça com bom conhecimento de causa e na seara correta, pois aviso: mexeu com a MPB, mexeu comigo! :D
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Eles, os intelectuais

Comprei, há cerca de dois anos, um livro com uma coletânea de entrevistas do caderno mais! do Jornal Folha de São Paulo. Ele reúne entrevistas com pessoas das mais variadas esferas da arte [cinema, literatura, crítica, artes plásticas, pintura, música, teatro...] e me pareceu, portanto, uma boa oportunidade de conhecer um pouco mais d’alguns artistas e ter a oportunidade de conhecer outros.
Vendo a lista de entrevistados, o primeiro nome que me chama a atenção é Mario Vargas Llosa. Conhecia muito pouco sobre ele, nunca tinha lido um livro seu, mas tinha uma curiosidade advinda da admiração que tenho pela pessoa que me indicou a leitura de seus livros.
Pois bem. Comecei a leitura super empolgado. E, a cada pergunta respondida, mais me “decepcionava”. Ele, um intelectual, emitia opiniões – a meu ver – desrespeitosas e ofensivas sobre algumas pessoas públicas e também intelectuais.
Discordar do outro é normal e até bem-vindo, mas chega a ser agressiva a forma através da qual ele refere-se a algumas pessoas. Terminei a leitura daquela entrevista com uma certeza: não quero ler os livros dele. Li mais algumas coisas sobre o dito e o incômodo continuava. Isso foi em 2009. Ano passado, ele ganha o Nobel de Literatura e, com toda a exposição que isso causa, mais uma entrevista com ele saiu no Le Monde. Li e, novamente, achei que permanecia pedante. Ratificou meu desejo de manter-me distante. Mas, admito, sempre curioso.
E o tempo passa.
Semana passada, uma busca no Google me leva à Revista Bula. Leio o artigo chamado “Sartre: o messias da filosofia” e tomo conhecimento do livro “Os intelectuais”, do [também intelectual] Paul Johnson, que descubro ser um crítico mordaz de outros tantos ditos intelectuais. Um de seus textos – pasmei – chama-se “Jean-Paul Sartre: Uma bolinha feita de pêlo e tinta”.
Pelo pouco que li, vi que Paul Johnson critica os [considerados] intelectuais cujas vidas “práticas” destoam daquilo que escrevem. Intrigado, procurei mais informações sobre o livro. Caí num artigo [em inglês] do próprio Paul no qual ele defende que é melhor manter autores e suas vidas em separado, que não importa o que eles fizeram da vida, se foram coerentes ou não, o que importa é o resultado de suas obras. Pareceu-me, então, que ele, o intelectual e notoriamente polêmico Paul Johnson, apresentou sua primeira “incoerência”, ou, melhor, mudou de opinião.
Em suma: autores são maiores que suas obras. Sim. Isto tem um fundo de verdade para mim, mas não sei se consigo aplicar isto a todos os aspectos e decerto não quero tecer frases aleatórias sobre isto. Prefiro ater-me ao fato de que a incoerência entre obra e vida não invalida os feitos de uma pessoa. E daí que Sartre talvez fosse [de acordo com o artigo] “inconseqüente politicamente” ou “fracassado como homem de ação”? Isto reduz seus escritos, seus pensamentos? Não. Talvez isto demonstre a incapacidade de ser aquilo que ele achava que era o correto, mas não desqualifica sua análise.
 E voltei a lembrar do Mario Vargas Llosa. Queria tanto lê-lo. Saber quais foram as “Travessuras da menina má” ou os “Elogios da Madrasta”… E numa dessas coincidências estranhas, passo por uma biblioteca daqui do trabalho e vejo um de seus livros. “Cartas a um jovem escritor”. Melhor não resistir, certo?
Estou a lê-lo desde então. Maravilhoso. Dá um prazer enorme. Tanto que já coloquei dois livros seus na lista de livros a comprar. Tanto que estou a um passo de perdoar as asneiras [assim julguei eu] que o intelectual Llosa profere.
Já Paul Johnson e suas ácidas e polêmicas opiniões terão de esperar. Melhor ler mais sobre muitas pessoas citadas em seu livro antes de conhecer os argumentos ditos com o claro intuito de desqualificá-las.
Se vivo estivesse, Sartre talvez se repetisse e dissesse, sobre Paul Johnson, que “o inferno são os outros”.
Um beijo, um xêro e um queijo!
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Vingança gramatical

Éramos dois imperfeitos um para o outro. Assim que o vi, confesso, o desejei. Um pouco mais alto que eu, um rosto lindo, um corpo malhado, mas não muito [corpos muito musculosos mais me repelem que atraem] e um sorriso lindo. Confesso, de novo: tinha certeza que não teria chance com aquilo tudo.
Conversamos um pouco, marcamos um jantar e eu logo percebi os [muitos] erros de seu português ruim, a incompatibilidade de gostos musicais, de cinema e teatro e livros e muito mais coisa. A cada “concerteza” que eu lia, fosse numa mensagem de texto ou numa conversa de MSN, minh’alma doía. Mas tinha vergonha de corrigi-lo. E então passei a dizer “com certeza” pra tudo, na ilusão de que ele pudesse perceber a diferença [hoje penso: será que ele percebia a diferença e achava que eu estava errado? :) ]
-Trabalhou mto hj?
- Com certeza!
- Vamos jantar no sábado?
- Com certeza!
- Será que vai chover no domingo?
- Ah, eu ouvi um meteorologista dizendo que “com certeza choverá no fim de semana”!
:D
Claro, eu também tinha lá meus “defeitos” para ele [não que eu não os tenha para os demais, mas quero me limitar aqueles que eram defeitos na visão dele]: não malho, não tenho o corpo definido, devo ter um percentual de gordura corpórea bem maior que o tolerável para ele, mal sei a diferença de bíceps para tríceps,  whey protein, então, putz… e não gostava dos filmes e músicas e livros que ele lia.
Mas, vai saber, resolvemos pagar pra ver. Foi meu primeiro affair mais “sério” aqui no Rio, e isto tem quase 3 anos. Durou pouco mais de 1 mês. Como não combinávamos em muita coisa, é natural o distanciamento. As famosas incompatibilidades. E apenas nos víamos vezenquando, pois ele trabalhava perto de onde moro, ou então nos encontravamos numa baladinha qualquer.
Eis que reencontramo-nos logo após o meu retorno das férias e entre aquele papo de sempre: oi-tudo-bem?, como-anda-a-vida?, já-se-formou?, tem-saído-muito?, ele resolve me alfinetar:
- Dá pra perceber que você continua sem malhar, né?
E vejo um sorriso, que outrora era lindo, bem irônico. Pára tudo!
Como assim? Não sei se foi a intenção ou apenas como chegou em mim [adoro a frase: "Eu sei que você acredita que entende o que acha que eu disse, mas eu não estou certo de que você compreende que o que você ouviu não é o que eu quis dizer", atribuída a Robert McCloskey], mas senti uma boa dose de ironia-quase-maldade naquela frase.
Meu pensamento voou veloz e feroz: como assim esse desgraçado me diz uma coisa dessa? Não poderia ter ficado calado? O que eu fiz para merecer isto? Tudo bem que ele sabe falar – e até sabe par ao que serve – whey protein, mas nem deve saber a diferença entre “mas” e “mais” e me vem com uma dessas? Eu mereço! Já disseram que a melhor resposta à ignorância é o silêncio. Mas devo eu mesmo me calar? Ah, acho que posso pelo menos tentar revidar. Será que ele vai entender? Ok, decido: olha só, rapaz, você pode ser alto e malhado, mas não vai sair ileso dessa. E por mais que não entenda, pelo menos eu terei o doce sabor da vingança… mas o que vou dizer? E, de repente, a iluminação. Com um sorriso o mais cínico que me foi possível, respondi:
- Com certeza. Separado e com “m”, o que é gramaticalmente correto.
Fogos de artifício explodiram ao fundo, uma banda à la “Desfile de 7 de Setembro” aparece e cheerleaders com seus pompons nas mãos saltitam mais que a Daiane dos Santos. … isso foi invenção, mas aquele foi o momento ideal para isso acontecer…
E eu falei, ah, isso eu falei.
Bicha má!
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Sobre viagens e saudades e culpas

Tenho um histórico relativamente recente de viagens. Viagens durante as férias, refiro-me. Mais, às viagens de longa duração. Faço estas viagens mais longas [distância e/ou duração] há uns 4 ou 5 anos. Começou lá por volta dos 22 anos de idade, quando o salário já me permitia vôos maiores.
E viajar, meus caros, é sempre algo muito bom. Todo o processo de planejamento, escolha do lugar, estudo sobre atrações e história da cidade/lugares, reserva de hotéis, compra de passagens aéreas… tudo isso faz com que eu comece a aproveitar a viagem bem antes de embarcar no avião.
Na família, sou o mais “viajado”, tanto pela questão financeira quanto pela “coragem” e desembaraço que é necessário para sair do nosso mundinho e encontrar outras culturas e outras línguas. E isto vezenquando incomoda um pouco. A mim, claro, pois ter a oportunidade de conhecer muita coisa é muito bom, mas sempre o faço com a lembrança nos familiares que adorariam estar ali. Não que alguns desejem estar nestes lugares, porque não necessariamente dele já ouviram falar ou dele têm referências, mas que certamente adorariam caso tivessem a oportunidade.
Para mim, é uma sensação de quase cometer uma injustiça ao despender muito dinheiro em viagens que são pouco prováveis de serem realizadas pelos demais. Sinto-me, sim, culpado. Não sei se culpa é a palavra certa. Talvez seja um intermédio entre culpa e lamento.
Explico-me: não dá para conhecer o Seaworld e não chorar de saudade do irmão mais novo, imaginando o quão maravilhado ele ficaria vendo aquilo tudo. Não dá para estar no topo da Torre Montparnasse, vendo como Paris é linda ao pôr-do-sol e não trocar emocionadas mensagens com mãe e tias e, então, chorar também. Sim, sei. Sou chorão mesmo. ;)
Talvez seja algo mais relacionado à forma como nossa família se relaciona. Sei que boa parte dessas viagens não são possíveis a todos [e até talvez nem sejam desejadas] e que se hoje eu faço é por causa do que consegui. Mas isso é razão. E nem sempre ela consegue domar o sentimento de lamento/injustiça.
E logo após toda viagem, ao chegar em casa, desfaço a mala e choro [de novo? aff...]. Choro de alegria. De felicidade de ter feito mais uma. De conhecer mais alguns lugares. De ter visto/feito/aprendido/escutado coisas maravilhosas. E coisas que me pareciam muito distantes há apenas alguns anos. Talvez esta emoção faça mais sentido para mim ou para quem conhece minha família ou de onde vim.
Também dá uma pontinha de orgulho de mim mesmo. E aí começa a sessão nostalgia e começo a lembrar de coisas mais antigas e penso: “quem diria que você chegaria aqui, hein, Nuno?”. Quem diria mesmo. Foi um longo caminho. Não é fácil. Não é impossível. Mas que, eu sei, ainda tem muito chão a ser trilhado.
Agora estou na etapa pós-férias: selecionar fotos, editá-las, montar álbum, mostrá-lo aos amigos, contar sobre a viagem, ver brotar um sorriso diversas vezes por dia ao lembrar de algum bom momento e aguardar ansiosamente pelo final do mês, quando viajo mais uma vez à terra natal, para encontrar a família e enchê-los de presentes e lembranças e fotos e histórias e dizer o quanto pensava deles naqueles momento.
Enfim, é isso. Estou de volta. E aos poucos conseguirei colocar minha vida, minhas leituras (livros, blogs…) e meu apartamento em dia :D .
Um beijo, um xêro e um queijo!
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A cada 12 meses…

…O direito a 1 mês de férias. E as minhas começam hoje.

Eeeeeeeeba!

Não sei aonde foi parar um post que tinha feito sobre este momento tãããããão bom :D … Então, de improviso e às pressas para sair correndo para o aeroporto, despeço-me temporariamente de vocês e deste blog.
Em setembro estou de volta. Durante as férias, por motivos óbvios, não postarei. Conhecerei novos lugares, novas culturas, novas comidas, novas festas, novos museus e obras e espero me divertir muuuuuito.
Um xêro a todos e até setembro!
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